terça-feira, 13 de setembro de 2011
10 Motivos para Boicotar o ENADE
Lembrando que o boicote significa assinar a prova e deixar a prova em branco, colando ou não o adesivo. É obrigatório que o estudante compareça no dia e horário da sua prova.
1. Ranqueamento - O ENADE, a exemplo do Exame Nacional de Cursos, antigo Provão), realiza o categorização das universidades em 5 níveis. Sendo assim, os resultados do ENADE seriam utilizados como propaganda para o mercado, enfatizando uma visão mais produtivista do ensino em detrimento do seu papel social (identidade social da Universidade).
2. Obrigatoriedade - Torna-se um componente curricular obrigatório do estudante a realização do exame. Dessa maneira, todos os estudantes convocados devem estar presentes no local da prova, caso contrário, constará no seu histórico acadêmico a sua irregularidade. Muitas faculdades assustam os estudantes ameaçando não entregar o diploma de formatura caso este falte no dia da prova.
3. Fornecimento de Bolsas - Os estudantes de melhor desempenho no ENADE receberão incentivos do MEC (ex: bolsas de estudos). Além de avaliar individualmente cada estudante, isso gera uma competitividade entre estes.
4. Desrespeita as diversidades regionais - A prova a ser realizada é única, sendo assim, o estudante da Bahia realizará a mesma prova que o do Paraná, desconsiderando as particularidades sociais, políticas, econômicas e culturais entre estes estados.
5. Avaliação restrita - A avaliação dos estudantes é feita em apenas 1 (um) dia de prova, não levando em conta a vida acadêmicado do estudante e o processo em que este está inserido na Universidade.
6. Punitivo X Propositivo - Ao ser punitivo, o ENADE não fornece uma análise crítica e propositiva para intervenções visando sanar problemas. Universidades com baixas notas no ENADE perdem investimento federal, quando a lógica deveria ser inversa!
7. Financiamento - A avaliação prioriza a regulação e o controle do ensino superior e não o seu financiamento. Dessa maneira, o ENADE não garante a melhoria das condições do ensino público e consequentemente, não visa uma política maior de universidade pública.
8. Imposição - O ENADE foi imposto através de Medida Provisória pelo Governo Federal, não havendo, portanto, participação da sociedade no processo de construção do sistema de avaliação.
9. Desrespeita a complexidade do sistema de ensino superior do Brasil, que deve ser entendido através das sua diversidade de instituições (Universidades, Centros Universitários, Faculdades Isoladas, etc.), cada um com suas particularidades, devendo o MEC legitimar essa diversidade e avaliar de acordo com as especificidades.
10. Centralização do sistema de avaliação - A Comissão responsável pela coordenação e planejamento do exame (CONAES) é composta majoritariamente por representantes do MEC, ou pessoas indicadas por este, havendo apenas 1 (uma) representação discente, 1(uma) representação docente e 1 (uma) representação técnico-adminstrativa. Dessa maneira, o processo de avaliação é centralizador, havendo ausência de critérios para a sua composição que indiquem a participação das Instituiçõesde Ensino Superior e da sociedade civil.
75% do ensino superior brasileiro é privado, e algumas destas instituições particulares realizam cursinhos pré ENADE, para que a instituição conquiste uma boa nota no exame e receba verba federal.
Boicotar o ENADE não significa faltar a prova: Infelizmente, a presença no dia da prova é obrigatória, sendo assim, o boicote se constitui em assinar e deixar a prova em branco, colando ou não o adesivo.
sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Lançamento do livro "Economia e Dialética", da Fundação Lauro Campos, no Comitê Latino Americano, segunda 12/9, ás 18:30.
Distribuição gratutia do livro no local, e fala de abertura sobre a atualidade do marxismo com Roberto Robaina , presidente do PSOL/RS.
Show com Vinícius Borges Braun, Bhia Tabert e Bernardo Corrêa.
Boa leitura e boa música, não perca!
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
70 Guarda-chuvas e um impasse...
por Joana Salém Vasconcelos
Neste dia 18 de agosto ocorreu mais uma grande marcha em Santiago do Chile, convocada por professores, estudantes secundários e universitários, em defesa da gratuidade na educação pública chilena. Piñera encomendou chuva, e conseguiu neve! Nevou em Santiago durante 30 minutos, no bairro de Las Condes e Vitacura (os bairros mais ricos), enquanto a marcha prosseguia no centro da cidade, debaixo de muita água e de um vento polar. A sensação térmica foi de 3 graus.
Mesmo assim, 70 mil pessoas compareceram às ruas para demonstrar sua persistência de lutar por democracia real. Um oceano de guarda-chuvas. Menos faixas, e mais capas plásticas. Uma forte convicção presente: a educação gratuita é uma condição básica da democracia, e o povo chileno não vai desistir de conquistá-la. Igual, prossegue a intransigência brutal do presidente Piñera. Ontem, o Ministro da Educação, Felipe Bulnes, reafirmou a proposta do governo: fiscalizar o lucro, criar uma superintendência responsável pela fiscalização, ampliar bolsas, abaixar os juros. Leia-se: legalizar o lucro, criar um novo órgão burocrático para alojar mais um empresário da educação no governo, criar melhores condições de endividamento dos jovens chilenos. O impasse se aprofunda.
O Financiamento das Universidades
Atualmente, 40% dos estudantes universitários chilenos já não podem pagar suas dívidas. Baixar os juros, afinal, é uma medida necessária para permitir que o endividamento ocorra em condições favoráveis ao credor, do contrário serão dezenas de milhares de moratórias.
O sistema de financiamento estatal da universidade chilena é feito de dois modos: direto e indireto. O aporte financeiro direto é o dinheiro que o Estado repassa diretamente às universidades públicas. Esse dinheiro, contudo, representa somente de 30 a 40% do orçamento necessário destas universidades. O resto é “autofinanciado”, ou seja, financiado pelos estudantes. Já o aporte indireto é fornecido pelo Estado para as universidades públicas e privadas, a partir do critério de mérito dos estudantes. São 200 mil estudantes que realizam uma prova nacional, e destes somente os primeiros 27.500 (13%) receberão o aporte. Mas ele é indireto, porque o Estado entrega o dinheiro à universidade, e não diretamente ao estudante. Deste aporte indireto, cerca de 70% se direciona para as universidades públicas e 30% para universidades privadas, que não tem nenhum compromisso de transparência administrativa. O governo Chileno gasta aproximadamente 0,6% do PIB com ensino superior público. Já com educação em geral, somando todos os níveis, gasta cerca de 4% do PIB.
O que é a municipalização da educação no Chile?
A situação é ainda mais injusta com o sistema de municipalização da educação básica, vigente desde 1981. Municipalidad, no Chile, corresponde a bairro. Isso significa que cada bairro é uma unidade orçamentária que financia a educação de um pequeno local. Os bairros de classe alta possuem vastos recursos e pouca demanda de serviços públicos, enquanto os bairros de periferia possuem poucos recursos e uma altíssima demanda destes serviços. A reprodução da desigualdade social, e seu aprofundamento, é perfeitamente garantido por esse sistema, que faz com que nenhum centavo dos ricos circule fora de seus bairros. Ao mesmo tempo, os bairros pobres ficam abandonados à própria sorte, e os professores tem que se virar com recursos escassos para ensinar.
O impasse
A desigualdade educacional chilena chegou ao seu limite. Os secundaristas cantam nas marchas: “Voy repetir, voy repetir!”. Estão dispostos a perder o ano para não pagar mais pela educação. Isso pode significar um colapso parcial do sistema educacional chileno no próximo ano: não haverá novos alunos no ensino médio.
O presidente Piñera é comprometido intensamente com os setores do empresariado da educação, que mais lucram com o atual sistema. Além disso, por suas origens ideológicas comuns com Pinochet, sua postura intransigente é absoluta. Inábil e ditatorial. Não vai ceder, e ponto.
O impasse a que se chega, então é esse: um governo incapaz de avançar um passo na direção das demandas da sociedade; uma sociedade mobilizada, persistente e convicta, que tampouco vai sair das ruas enquanto não receber uma resposta efetiva de mudança. Só resta saber quanto tempo essa corda será tensionada sem arrebentar. A boa notícia é que a sociedade chilena tem a possibilidade de reconquistar a democracia, que desde 1991 está limitada ao direito de votar.
http://diretodochile.juntos.org.br/
quinta-feira, 18 de agosto de 2011
quarta-feira, 17 de agosto de 2011
quinta-feira, 28 de julho de 2011
Estado Laico? Presidenta: pare de meter sua opinião religiosa em politicas públicas anti-homofobia!
reproduzido de Mario Frô:
Acordo e leio o excelente post do Leonardo Sakamoto sobre a pesquisa do Ibope afirmando que 55% dos brasileiros são contra a união homoafetiva. Fico me perguntando sobre a utilidade dessa sondagem: será que ela serve para assustar o restante de pouquíssimos homens públicos que ainda não se esqueceu de que o Brasil (ao menos na teoria das leis) é um Estado Laico?
Vejo retrocessos no governo Dilma como a interferência descabida de uma presidenta no andamento de uma política educacional voltada para o respeito à diversidade levada a cabo pela SECAD/MEC. A presidenta, tal qual uma diretora de escola de classe média, pressionada por tevês fundamentalistas, por uma imprensa irresponsável e cínica que dá voz e vez aos homofóbicos (vendendo essa prática como’ liberdade de expressão’), pressionada por uma base fundamentalista de deputados indigentes no Congresso, refreia o processo de elaboração de material pedagógico ‘escola sem homofobia’, afirmando que não permitirá que o governo faça propaganda de ‘opção sexual’ nas escolas.
Vejo, inclusive, deputados e senadores (em teoria eleitos por uma legenda de ‘esquerda’) não apenas fazerem vídeos convocando, mas participando da Marcha para Jesus (megaevento transformado em uma manifestação contra a aprovação do PLC122) como vejo uma militância de esquerda que deveria cobrar compromissos com bandeiras históricas dos partidos, justificando tudo isso como parte de ‘recuos estratégicos’.
Imaginem se no grande embate que este país viveu nas últimas décadas do século XIX tivéssemos Ibope e eles resolvessem perguntar aos poucos cidadãos que tinham o efetivo exercício de cidadania se eram a favor ou contra a abolição da escravatura?
Enquanto eu pensava sobre o texto do Sakamoto, @micaelsilva repassa um link para uma chamada de entrevista da cantora Sandy.
Lembrei no ato da bolinha de papel cujo primeiro tweet a respeito também me chegou via @micaelsilva e, de novo, soube que o assunto iria parar nos TTs. Tweetei:
E assim como no case bolinha de papel, em pouquíssimo tempo, o ânus da Sandy não apenas foi para os TTs Brasil como tomou o 1º lugar nos TT do Mundo.
Sandy desde que virou garota propaganda da Devassa, a marca de cerveja que adora uma campanha sexista, está repaginando sua imagem de menina doce, ingênua, pura, assexuada, para fêmea fatal e parece ter sucesso no seu intento. Como o ‘Brasil real’, aquele responsável pela maior nação de proctologistas do mundo – fiscais do fiofó alheio -, ao menos por enquanto, vem ganhando adeptos de todas as colorações partidárias, tudo em nome dos votos, dos ‘recuos estratégicos’… Graças a uma fixação anal que nem Freud explica, a promessa de construção de um verdadeiro Estado laico está indo para o saco.
Quanto ao ânus da Sandy e o restante de seu corpo ela faça o que bem entender com ele, é dela e ela tem todo o direito sobre ele. Aos demais 55% do ‘Brasil real’ e aos que por falta de coragem abandonaram a defesa de um Estado Laico, recorro à máxima do meu querido amigo, o ator Bemvindo Sequeira: “vão dar meia hora de rabo”.
terça-feira, 19 de julho de 2011
Estudantes querem expulsar aluno racista da UFRGS
Em resposta às agressões racistas
Vera Rosane de Oliveira
É extremamente revoltante, em pleno século XXI, vermos “teorias eugênicas” terem veiculação em espaços produtores de opinião pública, seja na academia (UFRGS) ou em veículos de comunicação de massas. Ao dizer isto, não falo de um lugar monolítico ou em detrimento ao legítimo direito de liberdade de expressão, mas me refiro à defesa patética da concepção de “boa raça”, como sugere a eugenia ao se utilizar de termos como hibridismo e de genocídio racial, expresso por este aluno de 50 anos do curso de história da UFRGS que está causando, com propriedade, repúdio e revolta de seus colegas. Antes de tudo, enfatizo e faço questão de salientar a idade do aluno, para que não venhamos a recair no equívoco de pensar que se trata de um jovem adolescente desinformado. As expressões por ele utilizadas tem um peso histórico para toda e qualquer sociedade.
A expressão Hibridismo nos remete a ideologias racistas como as utilizadas no início do século por cientistas sociais da época; por exemplo, o médico e sociólogo Nina Rodrigues (1862-1906), que ficou famoso especialmente devido às suas teses que defendiam a radical divisão da sociedade entre raças superiores e inferiores, e a ideia de que a miscigenação racial era um dos fatores que não permitiria que o país se desenvolvesse, apresentando “argumentos” como os seguintes [1]:
“A raça negra no Brasil, por maiores que tenham sido os seus incontestes serviços à nossa civilização, por mais justificadas que sejam as simpatias de que a cercou o revoltante abuso da escravidão (...) há de constituir sempre um dos fatores da nossa inferioridade como povo”.
“A constituição orgânica do negro, modelado pelo habitat físico e moral em que se desenvolveu, não comporta uma adaptação à civilização das raças superiores, produtos de meios físicos e culturais diferentes”.
Ou mesmo o historiador Silvio Romero (1851-1914), o qual, inclusive, escreveu o prefácio de Africanos no Brasil, afirmando que “o negro não é só uma máquina econômica; ele é antes de tudo, e malgrado sua ignorância, um objeto de sciencia”.
Assim percebemos que chamar negros e mulatos de híbridos é antes de mais nada um desrespeito, pois não se trata apenas de fazer alusão a um termo científico entre dois organismos vivos. Ao lermos no dicionário de Relações Étnicas e Raciais o termo híbrido vemos que ele desenvolveu-se a partir de origens biológicas e botânicas, contudo, tornou-se um termo-chave na crítica cultural contemporânea. Se formos à etimologia da palavra, no latim hybrida significa originalmente o cruzamento de uma porca mansa com um javali selvagem... É a isto que este aluno respeitosamente denomina os “pardos, mulatos”? Isto é científico ou racista?
Outro elemento que me deixa perplexa é a comparação que senhor Alff faz da relação interracial ou a miscigenação com o genocídio. Dei-me o trabalho de mais uma vez voltar ao dicionário de Relações Étnico-Raciais e buscar saber a origem e significado do termo genocídio, pois cheguei a pensar que este aluno talvez desejasse falar dos 150 jovens negros que morrem assassinados a cada dia em nosso país, como diz o documentário Falcão: Meninos do tráfico. No entanto, ao ver que a etimologia do termo combina do grego a palavra genos (grupo, tribo) com latim cide (matar) e que, em 1944, o jurista Raphael Lemkin buscou consubstanciar as práticas e políticas de extermínios das nações e grupos étnicos, utilizados pelo Terceiro Reich, como genocídio [...] e ainda que, o genocídio é considerado crime perante as leis internacionais, condenadas pelo mundo civilizado e cujos autores e cúmplices são passíveis de punição; realmente, não consigo aceitar que um ser racional consiga dizer que “o interracialismo é uma forma de genocídio, ainda que involuntariamente”, a menos que se esteja perante alguém que realmente acredite que existam raças/pessoas superiores ou inferiores.
Não se trata aqui de uma defesa desenfreada pelas cotas em um momento ímpar vivido pela sociedade brasileira pós-declarações racistas e homofóbicas do “Senhor Deputado” Bossonaro ou mesmo posterior aprovação do malfadado Estatuto da Igualdade Racial, que retira do corpo do texto aprovado a obrigatoriedade das cotas e de todo e qualquer termo que faça o país lembrar sua herança escravocrata e racista. Como se ao não estar escrito ninguém saberá ou lembrará que a Sociedade Brasileira se constituiu através da herança escravocrata e que o racismo é uma prática e realidade no Brasil e no Mundo.
Antes de tudo, trata-se de dizer em alto e bom tom que a luta e resistência dos negros e negras em nosso país não se refreará diante dos racistas de plantão, sejam eles governantes, deputados, alunos, teóricos ou cientificistas, pois como diz o poema de Bertolt Brecht – “De quem depende que a opressão prossiga? De nós, De quem depende que ela acabe? Também de nós.”
Vera Rosane de Oliveira é servidora da Universidade Federal do Rio Grade do Sul (UFRGS) e militante do Quilombo Raça e Classe da CSP-Conlutas









